la vida secreta de las imágenes
esboço de natureza morta por julian-gris
o espaço entre os objectos pintados
deve ser recriado pelo olhar
lentamente
cubro a tela com manchas cinzentas
sépias tímidas claridades arestas de sombra
brancos-de-zurbarán irradiando místicas visões
organizada a obra atribuo nomes
papel garrafa tigela ovos prato toalha
ou talvez ainda outros nomes
outras coisas ainda inexistentes
porque a essência do fascinante trabalho
está no pulsar de certas íntimas relações
entre o meu corpo e o mundo que lhe é exterior
não admira que de algumas manchas de cor
sem jeito aparente se arrume com rigor
a natureza-morta
mas o que me perturba é não saber ainda
se uma ave surpreenderá o falso sossego
destas formas bicudas a que chamei ovos e
me fizeram esquecer aqueles que em criança
roubava ao primaveril calor dos ninhos
Al Berto de «A Secreta Vida Das Imagens»,
o espaço entre os objectos pintados
deve ser recriado pelo olhar
lentamente
cubro a tela com manchas cinzentas
sépias tímidas claridades arestas de sombra
brancos-de-zurbarán irradiando místicas visões
organizada a obra atribuo nomes
papel garrafa tigela ovos prato toalha
ou talvez ainda outros nomes
outras coisas ainda inexistentes
porque a essência do fascinante trabalho
está no pulsar de certas íntimas relações
entre o meu corpo e o mundo que lhe é exterior
não admira que de algumas manchas de cor
sem jeito aparente se arrume com rigor
a natureza-morta
mas o que me perturba é não saber ainda
se uma ave surpreenderá o falso sossego
destas formas bicudas a que chamei ovos e
me fizeram esquecer aqueles que em criança
roubava ao primaveril calor dos ninhos
Al Berto de «A Secreta Vida Das Imagens»,

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